segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Plínio Marcos: Em Prosa e Samba - Nas Quebradas do Mundaréu (1974) Álbum...







Em homenagem ao grande artista Plínio Marcos, ator, escritor e o maldito
mais bendito de São Paulo e aos grandes mestres do samba e artistas do povo?
Geraldo Filme, Zeca da Casa Verde e Toniquinho batuqueiro.





 





João do Gueto



sábado, 8 de novembro de 2014

OLHAI OS LIRIOS DO CAMPO



 

Mateus:

«Ninguém pode servir a dois senhores; pois ou há de aborrecer a um e amar ao outro, ou há de unir-se a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos da vossa vida pelo que haveis de comer ou beber, nem do vosso corpo pelo que haveis de vestir; não é a vida mais que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e vosso Pai celestial as alimenta; não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um cúbito à sua estatura? Por que andais ansiosos pelo que haveis de vestir? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Se Deus, pois, assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Assim não andeis ansiosos, dizendo: Que havemos de comer? ou: Que havemos de beber? ou: Com que nos havemos de vestir? (Pois os gentios é que procuram todas estas coisas); porque vosso Pai celestial sabe que precisais de todas elas. Mas buscai primeiramente o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.» (Mateus 6:24-33)

ZUMBI SOMOS NÓS! PROJETO GRAFITE- EMEF BRASIL-JAPÃO- 2013


Semana da Consciência Negra 2008


A SENHORA MAURA





A SENHORA MAURA

 

Sou negro brasileiro, filho da mistura e miscigenação das três etnias formadoras de nosso povo.

“- O índio, o europeu e o branco português e o negro africano”.

Sou mulato, mas não gosto desta palavra, pois remonta mais de quinhentos anos de escravidão, palavra que deriva de mula, animal híbrido e que não pode gerar descendentes por se filho do senhor com sua escrava negra e não ser aceito nem pelos brancos e muito menos pelos escravos, passava então a ser o capitão do mato ou capataz de gado e de toda gente.

 Venho aqui dizer e falar, ou melhor, agora escrever que meus antepassados negros não foram escravos, mas sim escravizados.

Meu avo Belmiro Rocha nasceu em 1889 na Bahia, portanto oficialmente liberto, pois a Lei Áurea fora assinada um ano antes de seu nascimento e como um dia ele mesmo me disse que seus pais não nasceram escravos, mas todos juntos com sua nação africana foram barbaramente escravizados e trazidos para o Brasil.

O sangue que corre em minhas veias é a mistura de três etnias: me avo negro, pai de minha mãe, minha avó, índia de Matogrosso, mãe de meu pai, minha querida avó Senhorinha Alves Piedade e minha avó Tereza de Guzzi, mãe de minha mãe, italiana da velha Sicília, portanto sou um autentico e genuíno filho da miscigenação brasileira,

E hoje, o que dos Rochas, negros e baiano, irá propor e escrever um nova História, não mais o escravo negro e passivo diante de sua condição escrava como se a escravidão fosse algo natural e justo.

Não quero mais assistir a novela tão famosa e mundialmente conhecida: A escrava Isaura, pois meus antepassados não eram escravos, mas sim foram escravizados e trazidos pela força e amarrados em correntes como se fossem cosias e objetos e como justiça e não vingança, eu irei escrever uma nova e melhor novela, A SENHORA MAURA!

E ela passará em meu canal todos os santos dias e em todo capítulo, Maura irá dizer assim:

Trezentas chibatadas no mínimo a Leôncio por insubordinação e não quer me servir.

Trezentas no mínimo e seu nome não será a escrava de alma branca Isaura, mas sim, minha linda, negra e formosa sinhazinha: A SENHORA MAURA

 

 

João do Gueto

 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

ZARUÊ ZAMBI!


Zumbi com ensino superior e anel de doutor

 

Quanto mais obstáculos eu transponho

 mais eu me fortaleço.

Quanto mais difícil é minha vitória

 maior valor ela terá.

Esta é minha sina

Meu Destino

Para ser reconhecido

 sempre tive que ser

 o melhor em tudo que fiz

Ser negro em um país

 de um passado escravista tem seu preço.

Caro e quase um crediário sem fim.

E aqui em terras de nosso senhor do Bonfim

 de senhores de engenho

 e barões do café

O negro só é livre

 se um guerreiro for

E sem nunca esquecer

 que muitos lutaram e morreram

Para que hoje nós possamos

 ser o que somos

Mas a verdadeira

E EFETIVA liberdade

 tem novas armas

Não mais um facão

 ou um fuzil na mão

E sim meu povo negro

Zumbi com anel de doutor

 e com muita, mas muita instrução

Pois o conhecimento é a única forma

 de alcançarmos nossa verdadeira

e efetiva liberdade

nossa real libertação.

E a luta continua!

Em busca de definitiva

E duradoura alforria.

 

João do Gueto.